Código de Defesa do Consumidor, o mito

Hoje o Código de Defesa do Consumidor foi literalmente para o lixo na minha opinião. Fui ao Banco do Brasil tentar fazer um saque direto no caixa, tive que aguardar durante 2 horas para liberarem MEU dinheiro e, ainda por cima, a título de exceção. Tentei falar com a ouvidoria e foi o mesmo que falar com um esquilo. O problema? Como eu estava sem meu cartão de débito (por culpa única e exclusiva deles) o saque no caixa exigia uma burocracia sem sentido para ser efetuado, precisavam do cartão de autógrafos da minha agência e (novidade) o sistema estava fora do ar.

Consumidor

Tudo começou terça-feira dia sete de julho quando tentei pagar meu almoço com o cartão de débito, a máquina do restaurante rejeitava toda minha tentativa. Paguei com dinheiro e decidi esperar e ver se no dia seguinte seria a mesma coisa. E foi, mesmo problema do dia anterior. Fui então ao caixa eletrônico tentar sacar dinheiro e o terminal apontou meu cartão como “não localizado”. Verifiquei a validade dele e tudo certo (12/09). Entrei em contato com o SAC do Banco do Brasil (0800 7290722) e pediram para eu entrar em contanto com o 40040001 (que é pago). Consegui falar com a atendente que me explicou o seguinte, meu cartão havia sido bloqueado sem motivo aparente, segundo ela, talvez por ser daqueles modelos mais antigos, sem chip, mas não sabia nada concreto.

Essa atitude de cancelar meu cartão sem aviso prévio fere expressamente o inciso IV do artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor que prescreve:

São direitos básicos do consumidor: “a proteção contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços.”

Pedi uma solução e a atendente me propôs o seguinte: “Falar com a minha agência ou pedir uma segunda via do cartão”. Caso eu optasse pela segunda, teria que pagar uma taxa de R$ 7,00. Preferi falar com minha agência. Descobri que, como não sou milionário nem empresário, o atendimento oferecido era somente pessoalmente, na própria agência. A gerente não se rebaixaria em resolver um pequeno problema de um pobre pé rapado. Certo, mas eu moro em Curitiba, minha agência fica a mais de 6 horas daqui. A mocinha que atendeu sugeriu que eu pedisse a tal segunda via e que, nesse meio tempo, sacasse dinheiro no próprio caixa de qualquer agência sem problema algum. Descobri também que meus dados cadastrais estavam completamente desatualizados, o que, se levado o CDC à regra, constitui crime, conforme exponho:

Artigo 73 do Código de Defesa do Consumidor: Deixar de corrigir imediatamente informação sobre consumidor constante de cadastro, banco de dados, fichas ou registros que sabe ou deveria saber ser inexata. Pena – Detenção de um a seis meses ou multa.

Em relação ao crime estou pouco me lixando, não vou denunciar ninguém por causa disso, até porque incriminar uma pessoa jurídica é coisa alienígena, pessoa jurídica não tem vontade, concorda? Depois de falar com a minha agência entrei em contato novamente com o 40040001 (lembrando que é um serviço pago) e fiz o pedido da segunda via do cartão.

Queria eu que tudo tivesse acabado por aí… No outro dia, como recomendado pela mocinha da minha agência, fui a uma agência de Curitiba fazer o saque. Por milagre a fila estava pequena e em poucos minutos fui atendido. Aí começou o purgatório. Para fazer o maldito saque a caixa precisaria confirmar minha assinatura com a assinatura constante do cartão de autógrafos da minha agência. Meu RG, CPF, carteira de habilitação e carteira profissional não serviram pra absolutamente nada. Nesse ponto o Banco do Brasil feriu gostosamente o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor que, entre outras coisas, expõe o seguinte:

Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes…”

O sistema não estava funcionando (nunca vi um sistema bancário funcionar, pra falar bem a verdade) e precisariam que a minha agência enviasse o tal cartão. Para minha sorte dia nove de julho é feriado no estado de São Paulo. Tentei falar com a ouvidoria que, não consigo entender como, deu razão total à agência. Tentei ir ao Procon. Nisso já eram duas horas da tarde, ou seja, não tinha muito tempo até que a agência fechasse. Contei meu problema ao atendente que me deu a senha de número 94. Perguntei se demoraria muito e ele disse que já estavam atendendo o 85. Esperei 15 minutos, só chamaram uma pessoa. Cinco funcionários não faziam absolutamente nada enquanto a agência entupia de gente a cada minuto que se passava. Desisti, devolvi a senha e voltei para a agência do Banco do Brasil.

Procon, uma vez eu acreditei que existia mesmo um órgão que defendia os direitos do consumidor. Pura balela, imagina, um órgão do governo que se dispõe a atuar em face das empresas para auxiliar o consumidor, sem ganhar nada em troca. Teria a mesma função de um órgão governamental especializado em beber o colarinho do chop de quem não gosta. Em suma, Procon e nada são quase a mesma coisa, a diferença é que o nada não paga seus funcionários com o dinheiro dos nossos impostos.

Chegando na agência que deu origem a toda essa dor de cabeça, voltei para a fila para ser atendido novamente. Nisso a caixa teve a brilhante idéia de falar com o gerente. Não deu outra, embora contrariando todas as regras do amaldiçoado cartão de autógrafos, deixaram-me fazer o saque! Não obstante o tal gerentezinho me disse: “Isso é uma exceção, você precisa do cartão de débito”. Eu o teria não fosse a incompetência do seu banco, cara pálida! Essa atitude também pode ser muito bem enquadrada no artigo 51 ,parágrafo 1º, inciso II do CDC que prescreve, também dentre outras coisas, a nulidade de cláusulas que restrinjam direitos INERENTES à natureza do contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou o equilíbrio contratual. Se eu não posso sacar meu dinheiro, para que teria uma conta no banco o pá?

Um dia vou lançar um livro, o Banco do Brasil: nunca mais, em referência ao famoso Brasil: Nunca Mais!

Créditos fotográficos: Fabio Maciel

Leia mais em:

  1. Vendas casadas nos casamentos
  2. Cybercrimes #1

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11 comentários para “Código de Defesa do Consumidor, o mito”

  • Priscila disse:

    …caramba, já passei pr isso, é realmente horrível, por isso estou cancelando minha conta no Bradesco e estava indo pro Banco do Brasil, mas depois dessa… vou é ver as taxas da Caixa Econômica Federal, apesar de lá também o atendimento ser uma caca… putz não tem muito o que fazer né, nem reclamar temos o direito mais, pois o Procon não funciona também… pena que curitiba é violenta pra guardar dinheiro embaixo do colchão…

  • Diego disse:

    Ooooo meu Brasil!!!

  • fabio disse:

    Trabalho no BB e sua reclamação procede, mas a sua interpretação do CDC está bastante equivocada. Sugiro que você ligue para a Ouvidoria do BB e não à Central de Atendimento, assim a sua agência será obrigada a resolver seu problema.

  • Jéssica disse:

    Parabéns! Seu post está em destaque na home do BombaNet.

    Confira em: http://www.bombanet.com.br

    até mais!

    Jéssica (Equipe BombaNet)!!!

  • Gawaim disse:

    Quero ressaltar alguns detalhes sobre o B.do Brasil:
    - Não é mas, comporta-se como uma repartição pública, não tem compromisso como horários a não ser os de entrada e saída de seus funcionários.
    - Secam mares e removem montanhas quando querem beneficiar golpistas, falsários, e membros do PT, ou conseguir beneficios supostamente trabalhistas (Já ouviu falar na PREVI?)
    - Junto com outros bancos oficiais, pratica as mais altas taxas de juros e serviços que se pode imaginar.
    - Um funcionário do banco do brasil expôe na sua cara a qualquer reclamação aquele famigerado artigo 311 do CPC que pune desacato a funcionário público!
    - Esse funcionário fabio do BB que fez sugestões é um iludido da vida, tudo funciona com ele porque ele é funcionário. Sugiro que ele experimente resolver um problema usando um amigo ou parente (os funcionários do BB são identificados nas contas correntes!) que não seja funcionário prá ele ver só a via sacra!
    - Se o B.B. é tão eficiente e tudo funciona e seus funcionários são um exemplo de competência, sugiro que eles renunciem a estabilidade funcional. Aí sim nóis credita!

  • Meyviu disse:

    Fábio, como escrevi no próprio corpo da postagem, eu liguei para a Ouvidoria do BB que, contrária às minhas expectativas, deu total razão à agência, minto, a Ouvidoria me explicou que eu só poderia fazer saque sem meu cartão na minha própria agência, procedimento esse que, como também expliquei no corpo do texto, vai totalmente de encontro aos preceitos do Código de Defesa do Consumidor.
    Gawain, obrigado pelo apoio, concordo com quase tudo que expôs.

  • Diniz disse:

    Vou citar vc em minha monografia!
    Obs.: Comment feito no post errado.

  • Jean Carlos da Rocha disse:

    Trabalho há alguns meses como Consultor tecnico dos bancos Real, HSBC, Caixa e Citibank. Ouço elogios e reclamações de varios bancos, porém, elogios do banco do Brasil nunca ouvi. Ouço somente reclamações e insatisfação dos cliente deste tal banco pelo devida falta de atenção nos atendimentos aos cliente. Lembrando tb que este banco investiu bastante em TI e sistemas e está entre os melhores sistemas bancarios. Mas infelizmente o resto pra eles é resto… Sinceramente nao vejo a hora de qdo os robôs entrar en cena, pois serão muito mais eficientes e agradaveis… estamos indo pro abismo!!

  • Renata disse:

    Sou advogada e estou com um caso mto parecido com o seu, inclusive com o mesmo banco. Parabéns pela explanação, procede em todos os aspectos!!

  • Thiago Seabra disse:

    Aos que falaram mal do BB retirem o que disserem se forem loucos, ou seja, BB nunca mais, pois para uma pessoa comum fazer qualquer tipo de serviço neste banco, precisa ter sangue de barata ou algo do gênero.
    Venho dar minha conttribuição ao post relatando o que me aconteceu no dia 01/09/2009 Terça-feira no mesmo Banco acima citado por todos vocês, primeiramente fui pegar minha senha para o atendimento, a vigilante, que por sinal esta profissão aqui em minha cidade (Brasilia), deveria ser muito bem remunerada, pois todos que conheço aqui tambem são recepcionistas, estava com meu filho de um ano e seis meses no colo e pensei alto, irei pegar uma senha preferencial, pois estou com criança de colo, daí lá vem a tal recepcionista disfarçada de vigilante e fala: Não poderás pegar uma senha preferencial, porque somente a mãe da criança terá este direito!
    Daí indaguei que isto não teria cabimento, pois sou o pai da criança e mesmo se não fosse. Começou uma sessão de tortura, a mulher não parava de falar, que eu nem estava mais dando conta de assimlirar suas indagações, até que por um milagre ouvi: Qualquer dúvida discuta com um dos funcionários do Banco. Sou um pouquinho grosso, porém muito educado, e respondi a ela: Minha vinda ao Banco não seria pra discutir com você e muito menos com funcionário do Banco, vim aqui somente para reativar uma conta.
    Após deste pequeno incidente, peguei a senha comum e esperei por mais de 25 minutos até que finalmente fui atendido, depois de muita paciencia pois no intervalo de clientes ali atendidos os ilustres funcionários do BB simplismente davam uma pausa em seus serviços, se fosse uma pequena pausa não estaria aqui reclamando, mas uma pausa de aproximadamente 5 minutos e toda vez que terminava de atender um cliente.
    Chegando ao funcionário mais uma luta para reativar uma simples conta para minha empresa efetuar o pagamento por este Banco, mesmo com toda minha aflição aparente, tudo deu errado naquele dia, até a tal conta que iria reativar ficou para o dia posterior, mesmo levando toda documentação e já sendo cliente deste Banco há algum tempo.
    Voltando ao Banco, levei os documentos necessários e tal, tentei reativar a bendita conta e o funcionário me disse, não será possível, não perguntei o porquê e ele já foi me dizendo que teria de abrir uma outra conta e tal, daí sim que consegui resolver o problema depois de muito tempo.
    Espero que meu post venha ajudar a todos que o lerem, BB não presta.

  • sergio renato disse:

    Boa noite, sou cliente bradesco tenho uma poupança. Semana passada tentei sacar um valor de 3.900,00 reais em outra agencia que não era a minha de origem, para efetuar um pagamento de uma moto que comprei ,o dono da moto foi ao banco comigo na agencia do bradesco de cascadura e chegando lá eu falei com o gerente e ele ligou para a minha agencia e o gerente da minha agencia não quis autorizar o meu saque perdi a compra da moto e ainda perdi dinheiro pq a moto estava vendida para outra pessoa. Como como pode vc é dono do dinheiro e o banco não autoriza o seu saque isso é uma verginha, eu entrei com um processo contra o banco só não sei se vou ter exito.
    Eu cheguei a pergunta ao gerente se eu estivesse em São Paulo como iria fazer para sacar teria que vir ao Rio e sacar o dinheiro e depois volta para São Paulo para pagar o que eu comprei.

    Já aconteceu isso com alguem? E alguem já ganhou algo na justiça.

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